9.12.16

Resenha - O Começo do Adeus, Anne Tyler.

Autor: Anne Tyler
Título: O Começo do Adeus
Ano: 2012
Páginas: 208
Editora: Novo Conceito

Anne Tyler nos leva a um romance sábio, assustador e profundamente tocante em que descreve um homem de meia-idade, desolado pela morte de sua esposa, que tem melhorado gradualmente pelas aparições frequentes da mulher — na casa deles, na estrada, no mercado. Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele. Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz. Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus.

Diferente do que eu esperava esse livro não se trata de espiritismo (não gosto desse tipo de livro).

Aaron Woolcott vê seu mundo desmoronar com a morte de sua esposa: Dorothy. Em um momento o mundo dele era centrado e no momento seguinte sua esposa estava morta… Como sobreviver a isso? Como levantar a cada manhã para descobrir que a pessoa amada não estará mais ao seu lado? É isso o que Anne Tyler nos mostra com a história de Aaron e Dorothy.

O Começo do Adeus nos remete ao passado e presente da vida de Aaron com Dorothy e sem Dorothy: como se conheceram, as conversas… Até a morte dela e Aaron tentando seguir com a sua vida.


Aaron sente que sua vida acabou, o trabalho não o satisfaz. Sua irmã “palpiteira” Nandina fica interferindo em sua vida e seus colegas de trabalho: Irene, Charles e Peggy tentam ajudá-lo, mas apenas complicam a situação, pois não há o que dizer e nem o porquê dizer algo o clássico “lamento sua perda” parece não se encaixar.

Anne Tyler nos mostra que a perda de um ser amado não precisa ser necessariamente o fim. Levamos nossos entes queridos em nossos corações não importa o que digam jamais esquecemos.

Aaron passa a “ver” Dorothy e ele percebe que na verdade eles não tinham um casamento perfeito (não sei se perfeito é a palavra certa, mas me falta outra melhor…).

Pequenas discussões, falhas suas e também de Dorothy o fazem perceber que ela assim como ele não eram perfeitos.

Profissionalmente eram, pode-se dizer, até realizados, mas emocionalmente é uma outra coisa, mas nem por isso há menos amor, naquele momento e naquela hora Aaron e Dorothy eram perfeitos um para o outro mesmo com todas as imperfeições que surgem no decorrer de uma vida a dois o amor que sentiam estava bem declarado.

A vida segue e Aaron começa aos poucos e relutantemente a voltar à vida, tentando viver um dia depois do outro sempre procurando por Dorothy na multidão, mas ele entende que o que quer que seja que precisava ser dito já o foi nas poucas vezes em que ele a viu depois de sua morte: Por que ela o amava assim como ele sempre irá amá-la.

“Aham: Era tudo que conseguia pensar. As pessoas que ainda não haviam sofrido uma perda, para mim, não pareciam totalmente adultas”.

Agora chegou a hora de seguir em frente e tentar fazer o futuro melhor que seu presente.

O Começo do Adeus é um livro reflexivo em minha opinião. Escrito em 1° pessoa nos mostra que a perda de um ente querido não é o fim. Não significa que a pessoa amada não será mais lembrada depois de tudo “dissecado” varias vezes, tendemos a nos apegar as boas lembranças: As boas ocasiões que vivemos com eles e isso não é ruim, é bom, é muito bom, mas é bom lembrar também dos momentos ruins: As brigas, gritos e choros, por que não? Vivemos tudo isso e cada lembrança seja boa ou não é preciosa e devemos sempre guardá-las na mente, mas principalmente em nossos corações.

Desculpem se no final fui muito sentimental, mas o livro merece, e merecia até uma resenha melhor só que não quero chorar, como disse, foi uma leitura muito reflexiva.

Nenhum comentário

Postar um comentário

© BLOG PÉROLAS LITERÁRIAS- TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | Design e Programação por MK DESIGNER E LAYOUTS